Irmã Rolande: Nenhum dia me arrependi do que fiz.

"O melhor lugar do mundo é onde Deus me quer". São José Freinademetz

Irmã Rolande: "Nenhum dia me arrependi do que fiz."

O Berço:
Meu nome é Maria Hally, nasci no dia 03 de julho de 1908, em Kaldenkirchen, na Alemanha. Meu pai era alfaiate, e minha mãe dona de casa. Meu irmão mais velho faleceu com um ano de vida. Depois cheguei eu, e quatro anos depois, minha irmã. 

A infância:
Em 1914 começou a guerra entre Alemanha e França, que foi até 1918. Papai, como era alfaiate, costumava fazer trabalhos para receber depois, mas não tinha nada registrado por escrito. Com isso, quando morreu em 1915, na guerra não tínhamos como cobrar nada de ninguém, mesmo porque não sabíamos quem estava devendo. Com isso, não tínhamos nenhum dinheiro. Foi um período difícil. Aos seis anos comecei a trabalhar. Sempre que alguém queria lavar as janelas ou limpar o corredor me chamava, com isso eu ganhava algum dinheiro e podia ajudar em casa. 
Nesta ocasião, meu tio também estava na guerra, ficou doente e foi para um hospital. Ele tinha cinco crianças. Então mamãe foi ajudar minha tia, as duas conversaram um pouco e mamãe levou todos para nossa casa. Colocou no chão muitas palhas de cevada e aí dormimos. Assim, partilhamos nossa cama e nossa comida com eles.

A escola:
Dos seis aos quatorze anos freqüentei a escola. O tempo da escola foi um tempo difícil, como era tempo de guerra, às vezes pela manhã não tínhamos aula. Então saíamos para os bosques para tirar “eichel”. Minha infância foi um pouco assim. 

A vocação:
Quanto ao meu chamado à vida religiosa missionária, surgiu a partir da minha vida de fé e oração. No inicio eu não queria ir para o convento, ainda que, diariamente, às 05 horas da manhã, participasse da missa e comungasse. Eu tinha em casa um livro com o nome de todas as Congregações da região. Um belo dia peguei-o e fui à Igreja. Lá, rezei muito, depois abri o livro e olhei, olhei tudo. Então vi Steyl, chamou muito minha atenção, fiquei interessada, ainda mais porque fica pertinho de nossa cidade. Mais tarde, quando estava planejando entrar, pensei: Steyl é perto de casa, minha mãe pode ir me visitar de vez em quando. Entretanto, quando escrevi para lá soube que precisava levar um dote, o que não tínhamos. Precisei com isso esperar mais algum tempo

O convento: 
Aos 21 anos, finalmente, tive condições de ir para Steyl. Mamãe foi comigo. Ficamos lá, gostei muito de lá, muito mesmo. Meu noviciado foi feito em Steyl, eu sempre trabalhei em coisas grandes, primeiro na cozinha, depois, no jardim, na padaria, eram muitas Irmãs, todos os dias fazia muito pão preto e outros, por último fui para a capela.
Fui à Holanda para o estágio pastoral onde trabalhai com crianças e gostei muito. Além disso, todas as noites ganhávamos chocolate, o que era muito bom!

Formação profissional e destino missionário: 
Voltei a Steyl e fiz os 1ºs votos e, em seguida fui para Alemanha onde cursei Enfermagem durante quatro anos. Em 8 de dezembro de 1937 fiz os votos perpétuos e, 20 dias depois, viajei para o Brasil. Tive dificuldade de adaptação em São Paulo, fiquei doente e pedi para ser transferida. Fui, então, enviada a Belo Horizonte, onde vivi por 28 anos, sendo 11 deles na Santa Casa e 17, na Escola de Enfermagem Hugo Wernek, como vice- Diretora. 
Na missão:
Em Belo Horizonte tive que freqüentar novamente o curso de Enfermagem, pois aquele realizado na Alemanha não foi reconhecido. Fiz o curso por insistência da Irmã Superiora e eu acabei indo todos os dias, durante três anos. Naquele tempo não tínhamos férias escolares, foram três anos corridos. Concluído o curso pela segunda vez, fui trabalhar na Escola de Enfermagem. Neste período, minha mãe faleceu no dia 2 de fevereiro de 1962, mas eu fiquei sabendo do acontecimento somente um ano depois. Após dezessete anos de trabalho na Escola fui transferida para a Santa Casa de Santo Amaro, como Superiora. Lá ficamos por mais três anos, depois fechamos e saímos, não tinha nada para fazermos lá, eles não precisavam das Irmãs, precisavam só de empregadas.

O Sant`Ana:
Cheguei aqui no Santana no dia 25 de janeiro 1969 e aqui estou até hoje, já vão 37 anos. 

Avaliação:
Olhando para trás, não sei se dá para dizer o que foi bom ou menos bom na minha vida religiosa missionária. Só sei que estava sempre alegre na Escola com os alunos, no hospital com os pacientes, aqui no Santana cuidando das Irmãs, sempre sentia que estava no meu lugar. Nenhum dia, nenhuma hora, pensei em desistir. Quando alguém saía, não conseguia entender e me perguntava: como podem fazer assim, fazem os votos e agora saem? No dia 3 de julho vou completar 98 anos de vida e em 8 de dezembro, 75 anos de profissão religiosa.

Recomendações: 
Só quero dizer principalmente para vocês que estão chegando agora, nunca deixem de orar, rezem sempre, quando eu era nova rezava muitas jaculatórias e elas estão em mim, até hoje. Procurem ser sempre amigas, não falem sobre as outras, não julguem a outra. Se eu vejo alguma coisa posso falar, mas para que? Nenhum dia me arrependi do que fiz até aqui e, se tivesse que recomeçar, faria tudo de novo.

Irmã Rolande Hally - pertence a Província Brasil Norte, SSpS
agost o/2006

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