Pentecostes: dom da comunhão na diversidade

A vinda do Espírito Santo aos discípulos de Jesus foi um marco na vida dos primeiros cristãos e pode ser considerada o nascimento da Igreja. Os Atos dos Apóstolos (At 2) narram que os discípulos estavam fechados em oração e, de repente, o Espírito se manifestou como vento forte e línguas de fogo. Imediatamente eles saíram e podiam se comunicar com pessoas de diversas nações, línguas e culturas, e entender cada uma em sua própria língua.

Assim foi o primeiro Pentecostes. Assim é a ação do Espírito Santo, amor que gera comunhão, inclusão, aproximação das pessoas e convívio entre diferentes. Graças à sua presença, o cristianismo se expandiu para além do povo judeu e se espalhou pelo mundo.

Consagradas ao Espírito Santo, nós, missionárias SSpS, participamos dessa ação dinâmica de ir além-fronteiras e criar laços de comunhão entre diferentes povos e culturas. Uma das principais características da Congregação é a internacionalidade e interculturalidade: somos quase 3.000 irmãs de 50 nacionalidades diferentes, em 47 países, nos cinco continentes.

Em nossas comunidades, é comum conviver com irmãs de outras culturas. No Brasil, ao longo dos anos, recebemos irmãs de vários países da Europa, da Ásia, da África e das Américas. Só falta da Oceania. Muito nos perguntam como conseguimos nos entender… Para nós, o Espírito Santo nos faz superar as barreiras da língua e da cultura, e construir uma só família. Num mundo onde há tanta intolerância, contribuímos com o dom da comunhão na diversidade.

Desafios e riquezas da interculturalidade

A comunidade do Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, é bem intercultural. São 20 irmãs de várias idades e oito nacionalidades. Além das brasileiras, temos irmãs da Alemanha, Bélgica, Áustria, Iugoslávia, Índia, Timor Leste e Indonésia. Para sentir mais de perto a diversidade, entrevistamos as três últimas irmãs que chegaram ao Brasil.

 

“Convivência e integração”

Irmã Albérsia Hope Tapoona, 33 anos, é de Kalimantan, Indonésia, e chegou ao Brasil em maio do ano passado. Já tinha experiência de conviver com culturas e línguas diferentes em sua própria terra natal. Para ela, “a interculturalidade é a interação entre diferentes culturas em vista da convivência e integração”, e exige adaptação e a observação de como os brasileiros se expressam.

Para quem vem de fora, sempre há coisas que podem chocar. Irmã Albérsia passou por essa experiência. Logo que chegou e a chamaram com gestos, parecia-lhe o jeito de chamar os animais domésticos em seu país… Também não sabia como cumprimentar abraçando um homem, pois, na Indonésia, é impensável. Por outro lado, gostou muito da alegria, abertura, facilidade de se aproximar e familiaridade do povo brasileiro.

A irmã já se comunica bem em português, mas quer adquirir mais fluência para servir à missão onde for necessário. O Espírito Santo é a sua força, e ela sempre o invoca, especialmente nos momentos difíceis.

 

“Tudo novo e diferente”

Irmã Elizabeth Rani Mani, 34 anos, é da Índia Nordeste. Chegou ao Brasil em julho passado para experiência intercultural e estudos em Teologia e Comunicação. Conta que, ao chegar, tudo era novo e diferente: as irmãs, o povo, a língua, a cultura, a comida…

Chamou-lhe a atenção que aqui a maioria da população é cristã, enquanto que, na Índia, é apenas 2,3%, predominando o hinduísmo e o islamismo. Estranhou os casamentos de segunda e terceira união, e os jovens poderem escolher com quem se casar. Na Índia, especialmente no interior, são as famílias que indicam os noivos. Apreciou a liberdade e a abertura que encontrou no Brasil. Em relação à língua, aqui só há o português, enquanto que, em seu país de origem, há mais de mil idiomas diferentes.

A irmã espera passar a pandemia para integrar a comunidade SSpS que será aberta na Zona Leste de São Paulo, próxima à Creche Madre Theresia, onde ela trabalha. Lá, um fato que a assustou muito foi a violência doméstica: um pai assassinou a mulher na frente da criança. “Como é fácil acabar com a vida!”, lamentou.

 

“Sentir-se em casa”

Irmã Severina do Carmo Amaral, 46 anos, está apenas há três meses no Brasil. Veio do Timor Leste fazer uma experiência missionária e aprender o português. Apesar de ser o idioma oficial de seu país, não é conhecido, pois o povo fala o tétum.

Ela conta que se sentiu bem acolhida e que os brasileiros são muito amigos. Sua grande alegria foi conhecer o Santuário Nacional, em Aparecida-SP. Irmã Severina confessa que se encantou com a beleza da basílica e a quantidade de gente. No Timor Leste, os locais de peregrinação são, em geral, pequenas capelas em meio à natureza.

O início do aprendizado é difícil, pois faltam as palavras para expressar o que deseja. Por causa da pandemia, as aulas são por Skype. A irmã já viveu na Indonésia e Filipinas, e conhece os desafios da internacionalidade. Mesmo assim, sente falta do arroz no café da manhã. Na comunidade, está à vontade. “A cultura é diferente em cada país, mas, como irmãs servas do Espírito Santo, temos uma cultura congregacional, um estilo de vida, de oração, de vida comunitária que nos faz sentir em casa aonde quer que vamos”, afirma.

Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS
Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

 

 

 

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