Espiritualidade dos discípulos missionários da Família Arnaldina

Quem sou? O que me define como missionário? Qual é a minha missão?

Provocados por esses questionamentos, o 1º Encontro interprovincial dos discípulos missionários da família Arnaldina, realizado em Barbacena-MG refletiu sobre o discípulo missionário e sua identidade. Orientado por Padre Tony e Ir. Lídia, o grupo foi conduzido a pensar nos fundamentos da missão desde o seu batismo.

 A identidade do discípulo missionário, recebida no batismo, constitui a essência da espiritualidade que motiva os que disseram a Ele seu sim. A palavra discípulo, em sua raiz, significa “aquele que aprende”. E aprender significa criar uma relação de amizade com o Mestre Jesus, para assim nos colocarmos a caminho com Ele.  

Para Jesus, o coração da missão é o Reino de Deus. E o Reino é relacionamento. Por esse motivo, viver nos dias de hoje a mística do encontro com o outro é uma profunda espiritualidade.

A imagem preferida de Jesus para falar do Reino é o banquete, lugar em que todos se encontram para a festa. Em momento algum Jesus está preocupado em fazer uma teologia sistemática e conceitual a respeito do Reino, e sim possibilitar a experiência através da imaginação. Da mesma forma que fermento e farinha deixam de ser o que são e transformam-se em pão, Jesus descreve o Reino sem defini-lo através de parábolas. Contudo, deixa transparecer os valores centrais do Reino que se dão nos relacionamentos construtivos da vida cujo essencial está na construção da vida humana, no bem estar integral das pessoas e no viver plenamente como filhos amados por Deus e como irmãos da criação.

Foi o que aconteceu com Tomé, que não tinha mais fé, Bartimeu que já não enxergava mais as pessoas, a samaritana sedenta de transcendente, Zaqueu que desejava uma nova vida e buscava experimentar o encontro, Madalena que buscava a cura e acabou comprometendo sua vida com Jesus até a cruz e o cego de Siloé que recebe como milagre um novo olhar para a vida e para o mundo.

Tudo isso graças ao trabalho do Espírito Santo em nós, que como desenhista e artesão, projeta a missão tecendo nossa relação com o Pai e o Filho, dinamizando nosso interior, a fim de nos tornar comunidades em missão.

Quando olhamos para a Palavra de Deus, encontramos três nomes que definem os  seguidores de Jesus. Discípulos, como chamava o próprio Jesus para denominar os que são chamados e enviados para a missão; seguidores do Caminho, como reconheceu São Paulo aos que se colocavam no seguimento de Jesus, e cristãos encontrado no livro do Atos dos Apóstolos.

Assim, como discípulos missionários batizados, somos chamados a nos tornar no mundo da educação um evangelho vivo.

RESGATAR E MANTER VIVA A MEMÓRIA

Reavivar a memória da fundação da família Arnaldina é captar a intuição inicial de Santo Arnaldo e dos primeiros colaboradores para poder entender o carisma. Para atualizar a identidade trinitária missionária, precisamos voltar à fonte inicial para reaprender a memória dos que nos precederam. Muito do carisma missionário vamos aprender olhando para trás, da mesma forma que, para entender quem somos, torna-se necessário olhar a nossa infância, nossa família e nossa juventude. Só assim entenderemos que somos uma família destinada, voltada para a missão.

É importante que cada família carismática recorde o seu início e o seu desenvolvimento histórico para agradecer a Deus que, deste modo, oferece à Igreja tantos dons. Quando fazemos memória, trazemos para o coração as pessoas que queremos bem, afinal manter viva a identidade robustece a unidade da família e o sentido de pertença dos seus membros como lembra o Papa Francisco: religiosos e leigos formam uma grande família em torno da partilha de ideais, de espírito e missão.

A ação de Deus que, no seu Espírito, chama as pessoas para seguirem de perto a Cristo e traduzirem o Evangelho numa forma particular de vida, lendo com os olhos da fé os “sinais dos tempos” respondendo criativamente às necessidades da Igreja, foi o que inspirou a comunidade fundadora. A resposta à conjuntura de seu tempo, atentos às questões históricas do século XIX, os impulsionou a saírem em missão.

Os fundadores chegam à América para atender aos imigrantes alemães e posteriormente aos povos indígenas. A missão começa no coração que reza. Missão para Arnaldo significa fazer do desejo de Jesus o nosso desejo: um mundo de paz, justiça e igualdade. Logo, os fundadores tiveram uma compreensão comum sobre a missão que, na prática, se dava nas seguintes ações:

1. Dar assistência pastoral à minoria dos católicos em diáspora;

2. Formação cristã e serviços aos necessitados;

3. Busca da unidade entre as igrejas cristãs;

4. Trabalho entre os migrantes nas Américas;

5. Presença entre os não-cristãos.

Assim, a compreensão da missão para a comunidade fundadora é muito ampla, como é entendida a ação pastoral atualmente e deve ser nosso trabalho na pastoral missionário nas escolas.

 

COMO ENTENDO A MISSÃO E QUAL O FUNDAMENTO DA NOSSA IDENTIDADE?

A missão nasce e flui a partir da identidade. Por esse motivo, a necessidade de uma identidade e de uma missão clara que fundamente, dê razão e sentido à nossa auto compreensão, à compreensão do outro, em relação a Deus e à vida.

E o que dá razão e sentido a nossa identidade missionária e trinitária?

Assim como pela raiz, a planta tira do solo o que a alimenta, o seu sustento, e o alicerce de uma construção dá solidez e firmeza à estrutura, a identidade arraigada nos dá direção, criando em nós atitude, estilo de vida, opção e decisão. Direção que se reflete nas atitudes familiares, profissionais e pessoais criando as seguintes dimensões:

Intrapessoal = sentido de integralidade, de auto integração, auto aceitação, autoestima;

Interpessoal = minha relação com os outros. Sentido de pertença, de relacionamento com todos, de ser e comunidade;

Transpessoal = sentido da missão, compromisso a serviço da vida;

Eco-pessoal = o sentido de conectividade ecológica e cuidado da criação.

Tudo isso cria um sistema de valores que fundamenta teologicamente a raiz da nossa identidade cristã: o dom da vida e o batismo.

A morte é o último ato da criação de Deus, pois ele nos transforma completamente. Nesse mistério da Santíssima Trindade seguimos Jesus o Verbo Encarnado, que se fez um de nós e se encarnou na realidade participando da vida das pessoas. A trindade missionária, que participa da vida de cada um de nos, um Deus que envia seu Filho para nos salvar pela força do Espírito Santo, o amor do Pai e do Filho derramado nos nossos corações, nos envia e nos capacita para a missão.

Entender a missão é olhar o mundo a partir de dentro, de uma visão de fé e de comunhão. É parar para pensar com que coração olhamos o mundo, atentos a um direcionamento interior. É orientar a vida a partir de uma segurança afetiva, emocional e espiritual a fim de darmos respostas criativas ao chamado que Deus nos faz.

Na língua portuguesa, temos uma forma só para definir o amor. No grego, temos quatro formas de definir o amor. Eros - uma admiração que caracteriza o outro. Gosto dessa pessoa por sua forma de atração. Storge - Amor na família. Amor relacional. Philos - Amor de amigo e que procura o bem do outro. Ágape – Amor que refere a Deus. Altruísta, incondicional.

Sem as palavras Abba e Reino não podemos entender a vida e a proposta de Jesus. O desejo de Jesus é de que todos possam experimentar Deus como ABBA (Papai). E Jesus quer revelar o sonho, o plano e a vontade do Pai para todas as pessoas que se manifesta no Reino. Deus é amor ágape, vida, alegria e dessa forma se apresenta a cada um de nos e quer abraçar toda a humanidade.

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