NECESSÁRIO

       

      A despeito da queda geral dos índices de violência, uma específica não só segue alta, como aumentou: a violência contra mulheres, mais exatamente os estupros. O pacto pelo fim da violência contra mulheres no estado de São Paulo, foi assinado somente após forte pressão exercida por movimentos feministas e organizações de mulheres.

            Apesar do Estado japonês, em 1993 e 1995, ter emitido pedido de desculpa pela “dor imensurável e o sofrimento causado às mulheres de conforto", como foram chamadas as escravas sexuais, Toru Hashimoto, prefeito de Osaka, disse que num contexto "em que balas voavam como chuva e vento, os soldados corriam o risco de perder suas vidas". [...] "Para que eles descansassem, um esquema de mulheres de conforto era necessário [!!!]. Qualquer um pode entender isso."

            O pronunciamento, recheado de naturalizações, revela o duplo padrão moral (homem/mulher) do milenar patriarcado que regeu e rege as sociedades, em particular a japonesa: 200 mil mulheres foram estupradas por soldados japoneses nos territórios por eles ocupados.

            Qualquer pessoa minimamente decente entende que a escravidão sexual é execrável e intolerável. O setor de pornografia das livrarias do Japão está sempre repleto de homens que devoram esses conteúdos alimentando um erotismo exacerbado. 

             Durante todo século 20, a despeito dos grandes avanços relativos aos direitos humanos, essa forma de naturalização ocorreu (e ainda ocorre) principalmente durante  as duas grandes  guerras mundiais, nos conflitos pela independência na África, durante as ditaduras, na guerra da Bósnia... O patriarcado alimenta a violência apresentando-a como natural. Assim como o frequente assédio sexual, que é crime, mas raramente autores são punidos. O prefeito de Osaka não está, pois, sozinho quando julga necessária a satisfação de soldados à custa da escravidão sexual de mulheres.

             A violência contra mulheres foi reconhecida pela ONU como violação dos direitos humanos somente em 1993, na Conferência de Viena. Até então, as sociedades se regiam legalmente pela hierárquica assimetria: aos homens todos os direitos, às mulheres uma cidadania de segunda categoria, a submissão, as várias formas de violência, entre as quais o estupro e o tráfico sexual.

            Mulheres preferem se dizer femininas e tolerar essa assimetria. As feministas não só repudiam o estupro e demais violências contra mulheres, como também os salários inferiores ao dos homens, a falta de divisão do trabalho doméstico entre homens e mulheres. Necessária e urgente é a superação das assimétricas e hierárquicas relações entre homens e mulheres.

Iolanda Toshie Ide

Convento Santíssima Trindade

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