Mulher - Árvore

No Aterro do Flamengo, durante a Rio-92, poucas pessoas sabiam que a exuberante zoóloga queniana Wangari Maathai - nem parecia passar dos cinqüenta anos de idade – trazia uma bagagem de mais de 20 anos de militância ambiental.
O desafio do deserto a fez liderar mais de trinta mil mulheres que passaram a gerir viveiros comunitários para reflorestar as savanas do Quênia. Proteção do solo, recuperação da terra erodida, hortas comunitárias, ...foram atividades que envolveram mulheres não só do Quênia como também de Uganda e Tanzânia.
Hoje, graças à tenacidade dessa mulher um cinturão verde começa a vencer a batalha com o deserto. Aos poucos, as árvores por elas plantadas no deserto, protege a pouca água existente e vai fazendo surgir oásis da cor da esperança: verde.
Quando a ouvi falar sobre plantar árvores nas savanas quenianas, pensei que ela tornava o milagre possível, mas não imaginei que, em três décadas, as savanas estivessem verdes e produzido água. Hoje, tenho a absoluta certeza de que as mulheres, por mais pobres e pouco escolarizadas que sejam, fazem acontecer milagres quando nelas se confia.
Foi, pois, com uma alegria especial que recebi, pela rede mundial de computadores, a notícia de que Wangari Maathai fora agraciada com o Prêmio Nobel da Paz. No momento em que muitas guerras se travam – e se articulam outras mais – pelos recursos naturais, esse prêmio vem reconhecer a incalculável importância de sua atuação para a sobrevivência da humanidade.
Mais conhecida como Mulher-Árvore, desafiou o governo com uma aguerrida campanha contra a substituição da principal área verde urbana da capital por um prédio de grande proporções. Nem é preciso dizer que a obstinada ambientalista saiu vencedora.
Premiação muito benvinda nesse momento em que se ameaça a sobrevivência da humanidade pela conversão de ecossistemas e pela capitulação às pressões de empresas como a Monsanto. Que esse reconhecimento a Wangari Maathai fortaleça a Ministra Marina Silva na batalha que ora se trava no Senado. Oportuno transcrever a afirmação do chefe do Comitê do Prêmio Nobel da Paz:
A paz na Terra depende da nossa habilidade em assegurar um ambiente vivo.

Iolanda Toshie Ide
Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Lins;
Representante da Pastoral da Mulher Marginalizada no setor de Pastorais Sociais da CNBB;
Coordenadora do Grupo de Pesquisa e Ação " Educação e questões de Gênero", da UNESP de Marília / SP

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